REABILITAÇÃO CARDÍACA
O primeiro passo para prescrever treinamento a pessoas em processo de reabilitação cardíaca é, por razões óbvias mas importantíssimas, consultar e ter liberação do médico responsável para o início de práticas esportivas.
Para iniciar o treinamento temos que saber que, por ser transplantado, ele não tem mais inervação de simpático e parassimpático no coração. Cabe, então, uma conversa com o cardiologista para realizar o controle da Frequência Cardíaca (FC).
Por questões éticas, treinamentos físicos deverão ser prescritos somente por educadores físicos qualificados. O que ocorre às vezes é que profissionais despreparados, não especializados no assunto que lêem um livro e se acham aptos para isso. Muita atenção!
Temos também que conhecer a parte medicamentosa, pois alguns tipos de betabloqueadores, remédios que são usados no controle da FC, pode ser “não seletivo”. Isso irá atrapalhar na perda de peso pois as células adiposas tem receptores beta adrenérgico, em maioria beta3. Então o cardiologista pode mudar para um "seletivo", dependendo do caso, que só bloqueia betas 1 e 2. Outro ponto é que como ele não tem inervação esse aumento da FC está por conta do hormônio adrenalina vindo da supra renal, isso quer dizer que a FC vai demorar mais para subir e mais para baixar e deve-se realizar um aquecimento mais longo e uma volta a calma mais longa de aproximadamente 10 minutos cada.
Lembrando que o treino de reabilitação cardíaca não pode ser muito longo, pois o cliente é um individuo em processo inflamatório, porque obesidade e hipertensão arterial geram liberação de citocinas inflamatórias pelo sistema imune. Então o treino deve ser de aproximadamente 40 minutos envolvendo os 10 de aquecimento, 20 na zona alvo e 10 de volta a calma.
Como já foi dito, devido à falta de inervação a FC pode não condizer com a pressão arterial (PA). Portanto ela tem que ser aferida durante a prática.
O “american college” preconiza que os maiores benefícios cardiovasculares estão na zona de 50% a 70% da FCmáx, mas não podemos fazer o cálculo através da fórmula de Karvonen, 220 menos a idade. Teste específicos são recomendados.
Prá finalizar, pesquisas, leituras e estudos sempre melhoram nosso treinamento... Tem muito trabalho bom que pode ajudar a fazer o melhor pro nosso aluno. Também é ótimo ter um canal aberto com o médico para discutir cientificamente pelas escolhas e para isso é preciso saber o que fala e isso só tem revisando a literatura.
Prof. ADRIANO RANGEL PEROZZO
CREF: 005631-G/SP
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